Homem X Herói – Uma busca fora de si.
Após várias
leituras e muito refletir, constatei que indiferente ao meio, cultura, educação
ou renda, o ser humano vive uma busca por representações heróicas das virtudes
consideradas ideais, onde possa repousar sua fé, esperança e sonhos, de
preferência que o permita repousar também a consciência de que por ser apenas
humano, falho, e pecador, não poderia ser o ostentador de tais virtudes.
Imputar
a alguém a responsabilidade de ser integro, honesto, caridoso, corajoso,
implacável com os maus, justiceiro tenaz das causas dos humildes, detentor de
uma moral ilibada e, portanto imaculado pelas mentiras e tramóias que são
pertinentes aos meros mortais, nos alivia a consciência.
Buscamos
depositar nossa cômoda consciência coletiva nas mãos de líderes religiosos,
personalidades famosas e até, pasmem, políticos. Isso fica mais claro quando
vemos midiatizada a queda desses ícones, do que quando os consumimos
diariamente através de telas de vidro, papéis, ondas sonoras ou presencialmente.
Sentimo-nos tão aviltantemente traídos quando percebemos no alvo de nossas
idealizações o resquício de humanidade, da passividade de erro, que passamos de
seguidores a perseguidores em fração de segundos, ou como suscitam as novas
tecnologias: numa atualização da timeline.
Atualmente o
que mais tem-me feito refletir é a passividade frente aos absurdos sociais, que
nos são entregues pelos meios de comunicação ininterruptamente, e a demonização
que nos achamos no direito de propalar sobre tudo e todos que se valem de
artifícios escusos em benefício próprio. Não sou adepto da “Lei de Gerson”, como não me julgo
baluarte da moral e honestidade. Apenas avalio que, enquanto homem, não sou
capaz de julgar minha conduta em relação a situações que não vivenciei, e dessa
forma não me sinto confortável para acender o pavio da inquisição de outro mero
ser humano.
De forma
alguma concordo com a condescendência e a impunidade sobre erros cometidos,
desvios de conduta, prejuízo à coletividade, crimes e abusos de qualquer ordem.
Acredito na justiça, na investigação isenta de interesses secundários, na
apuração rígida dos fatos e do direito de defesa nos casos em que a culpa não
se comprova de forma irrefutável.
O que me
trouxe a esses questionamentos, em partes se relaciona com os últimos
acontecimentos no cenário político de nosso estado de Goiás, bem como vários
outros no Brasil, em partes com a banalização da fé, substituída pela guerra
declarada entre líderes religiosos, em partes pelo esforço de pequenos grupos
em arregimentar pessoas que lutem ativamente nas fileiras das ONG’s e
instituições que ostentam bandeiras como: “Brasil sem corrupção” e “Ficha limpa”.
Principalmente
o que me fez escrever esse texto foi o fato de ver nos olhos de muitas pessoas,
de ouvir vários discursos de ordem, ler muitos post’s e twittes, carregados de
tanto rancor e amargura, e, ao mesmo tempo, isentos da percepção de si
próprios, de suas atitudes corruptas e escusas, de quem sonega impostos,
oferece propina para não ser multado no trânsito, se recusa a fazer o teste do
etilômetro, não respeita a faixa de pedestres, os assentos preferenciais, as
vagas para deficientes, os próprios deficientes, que busca um cargo
comissionado em um gabinete político por apadrinhamento, cola na prova, dissemina
inverdades e maldades, não respeita os idosos, seus professores e pais, e uma
infinidade de atos cotidianos que não caberiam em um só artigo.
Definitivamente
o que me ajuda a compreender todo esse comportamento social, é o fato de não
sermos Heróis, e de ainda continuarmos admitindo que simples humanos não sejam
capazes de equalizarem seus defeitos e qualidades a ponto de prevalecerem as
qualidades, e essas qualidade suplantarem a ganância e o desejo de sobrepujar o
próximo, nos permitindo a todos, em conjunto, fazer desse mundo um lugar
melhor.
Finalizo com uma frase de minha
autoria, que acredito ser pertinente a esse contexto:
“O homem é tão ciente de sua
corruptibilidade, que vive em busca de um Herói mítico a fim de depositar sua
esperança falida no próprio homem.”
Marcos Marinho é consultor e professor
de Marketing Político e Eleitoral.
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