Espaço destinado ao registro das percepções críticas de um cidadão brasileiro sobre política, comunicação, comportamento e demais assuntos pertinentes à sociedade contemporânea.
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terça-feira, 24 de junho de 2014

Eleitor fiel


O pleito de 2014 se avizinha e os palanques eleitorais já começam a ser montados, inicialmente em meio a grupos sociais, entidades de classe, instituições públicas e, principalmente, templos religiosos.

A batalha pela cooptação dos votos dos fieis é generalizada. Templos evangélicos e igrejas católicas, cultos e missas, ternos e batinas são imiscuídos na estratégia política de grupos de poder, a fim de favorecer seus escolhidos.

Mesmo entendendo que os templos são locais apropriados para se falar sobre política - falar sobre todos os assuntos que regem a polis, a cidade, e nossa convivência enquanto sociedade - acredito que não devam ser usados como palanque para politicagens e encabrestamento de eleitores.

Poucas são as igrejas, católicas ou protestantes, que levantam bandeiras perenes em prol dos seus cidadãos-fieis e dedicam-se a politizar seus membros a fim de não deixá-los como ovelhas na presença dos lobos políticos - e não permitir que sejam usados apenas para saciar a fome de poder e riqueza de alguns.

Avalio que o título de pastor ou padre, por si só, não capacita alguém para ocupar uma cadeira no legislativo ou executivo. A escolha da cúpula eclesiástica, ou mesmo a decisão isolada e motivada por interesses particulares de padres e pastores, não deve ser a base usada por um eleitor para tomar sua decisão de voto.

Reconheço a necessidade das correntes religiosas terem seus representantes políticos, mas condeno quando isso suprime o intelecto das pessoas e se calca apenas na mística espiritual que levanta “ungidos” para receber votos, sem que este abençoado consiga por ele mesmo, por suas propostas e condutas, conquistar a mente e o coração dos eleitores fiéis.

Não julgo as religiões, ou faço juízo de valor sobre rituais e crenças, porém não posso calar-me frente a algumas práticas inescrupulosas que visam beneficiar projetos particulares, sobrepujando pessoas e se valendo justamente do que lhes é mais caro, sua própria fé.

O livro sagrado traz em si a seguinte mensagem: “conheceis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32), sendo assim, espero que neste pleito os líderes espirituais exerçam seus ministérios para expor a verdade sobre os interesses políticos de seu grupo, a verdade sobre os candidatos que decidiram “ungir” e não se valham de artifícios, mitos, medos, ameaças ou versículos com números subliminares na tentativa de cooptar votos.

Seja um eleitor fiel, mas seja fiel apenas à sua consciência, sua racionalização das propostas e condutas daqueles que lhe pedirão o voto. Não diga amém ao líder religioso que tenta lhe catequizar sem ao menos explicar os motivos que o levaram a proclamar o escolhido. Seja livre para fazer suas escolhas e tenha coragem para arcar com os resultados delas.

Marcos Marinho
Professor e consultor político

@mmarinhomkt

domingo, 18 de maio de 2014

Sou a favor dos justiceiros

No Brasil estamos acostumados aos rótulos sociais que surgem e são amplamente divulgados, aceitos e ostentados de ano em ano. Já tivemos os “cara-pintadas”, os “manifestantes”, os “rolêzeiros” e, hoje, temos os justiceiros.

A acepção da palavra justiceiro nos remete ao conceito de justiça, de quem faz justiça, o que, neste caso, seria efetivamente algo muito bem vindo devido a atual situação de nosso país, onde convivemos com o medo, a miséria, o desrespeito por parte dos entes públicos, a falta de educação e civismo apresentada por grande parte da população, enfim um momento caótico para a sociedade.

No entanto as pessoas que estão sendo rotuladas como “justiceiros” não representam a justiça, não são membros do poder judiciário, tampouco manifestam em seus atos o conceito de justiça ou lutam conscientemente por esta.

Uma definição simples da palavra justiça seria: “Prática e exercício do que é de direito”. Por entender justiça como um conceito mais amplo e abrangente trago Aristóteles, que defendia a Justiça como “virtude”, associando legalidade e igualdade.

O que temos visto na mídia em hipótese alguma pode ser chamado de justiça! Sendo assim, nominar os assassinos e espancadores que promovem as cenas mais torpes e indignas de qualquer sentido de humanidade de justiceiros está equivocado. Estamos diante de bandidos que se acham no direito de exterminar quem eles consideram bandidos.

É confortável justificar as atrocidades que vem sendo cometidas por estes grupos de ensandecidos, nas ausências e ineficiências do estado, afinal é dele a responsabilidade por não nos expor à violência. A ineficiência dos governos tem contribuído para geração de toda descrença e desespero que usamos para validar os comportamentos irracionais apresentados por estas pessoas, mas ainda assim tal comportamento pode ser justificado?

Neste caso é muito importante que entendamos que estas ações de linchamento e massacre em nada têm a ver com justiça, mas sim com um sentimento de desforra, de revide que, ao invés de ser canalizado e utilizado para realmente se exigir o cumprimento das funções de governo, ao invés de ser usado para fiscalizar e reivindicar o cumprimento rígido das leis de nossa constituição, dos direitos humanos universais e do estatuto da criança e do adolescente, é simplesmente usado para acobertar o instinto animal e covarde daqueles que não são nem justos nem corajosos para mudar seu status quo.

Sou favorável aos justiceiros, mas àqueles que exercem o papel legal de julgadores e executores das leis, e são constituídos e formados para isso. Sou a favor dos justiceiros, dos homens e mulheres que dedicam suas vidas para verem cumprida a legislação que garante direitos e deveres, pessoas que lutam por causas que beneficiam a sociedade, causas que dão dignidade e respeito a todos, e visam corrigir injustiças.

Não há justiça na vingança, na destruição da vida humana, na agressão física e psicológica contra quem é suspeito de um crime, nem a quem já foi  condenado pela comprovação de seu delito.Toda pessoa deve receber a punição prevista em lei e ter a possibilidade de se regenerar, se arrepender e mudar. A morte não muda o criminoso. O atual sistema carcerário não reeduca o apenado. A ausência de políticas públicas e sociais que garantam as condições mínimas para que o cidadão possa escolher não viver do crime, não contribui para diminuir a criminalidade.

Vivemos um dos momentos mais desordenados de nossa sociedade. Descrédito nos poderes constituídos, nas instituições e no ser humano, tem nos feito adotar posturas equivocadas, nos tornando inertes na maioria das vezes, ou animalescos em casos extremos.

Somos, enquanto partícipes da sociedade, muitas coisas, mas certamente o adjetivo justo não nos cabe da forma como acreditamos. Se formos respeitosos uns para com os outros, colaborativos e igualitários em nossas relações, cumpridores dos nossos deveres e perseguidores dos nossos direitos, aí sim teremos condição de promover a justiça que nos foi usurpada.
Marcos Marinho
Professor e Consultor político

@mmarinhomkt

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Chega de promessas

Estamos a praticamente 60 dias do período eleitoral de 2014, época que infelizmente não é merecedora de grandes e boas expectativas por parte dos eleitores. Em pesquisa recente publicada pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes), encomendada ao Instituto MDA (SP), foi detectado que 30,7% dos brasileiros dizem ter pouco interesse pelas eleições e 27,5% afirmam ter nenhum interesse pelo pleito presidencial.

Existem vários fatores que podem ser responsabilizados por esta ampla demonstração de desinteresse por nosso processo democrático e popular da manifestação de opinião sobre os rumos que queremos para nosso país: falta de educação política, excesso de escândalos envolvendo políticos, inabilidade dos mandatários e seus partidos em manter relacionamento com os eleitores, dentre outros.

Todo desinteresse pelo processo eleitoral manifestado pela população, obviamente, impactará nas urnas. Seja pelo aumento de votos brancos, nulos e abstenções - o que em nada recomendo por ser simplesmente um mecanismo que favorece a manutenção no poder de quem já o detém - ou pela maior dificuldade que os candidatos terão para acessar os eleitores e conquistar-lhes o voto. É muito difícil vender um “produto” que as pessoas não tem interesse nem de ouvir a propaganda.

Neste contexto podemos perceber também uma séria dificuldade por parte dos atuais pré-candidatos em afinar um discurso que ganhe eco entre a população. Neste momento, tenham certeza, muitas cabeças estão fervilhando atrás de ideias e argumentos que chamem a atenção desta grande maioria de desinteressados. Mas o que prometer? Como adivinhar o “novo” modelo político que este povo deseja? Estas respostas valem muito dinheiro.

Gratuitamente deixarei neste espaço uma dica que considero valiosa: chega de promessas! Nestas eleições, não será a capacidade mirabolante de alguns prometedores que encantará aos eleitores. A população não quer mais ouvir sobre novos hospitais, novas escolas e creches, novas obras ou qualquer outra novidade. É fato que precisam de muitas coisas que ainda não possuem, mas principalmente desejam que o que está ao seu dispor funcione.

O eleitor já tem noção da enormidade de dinheiro que os governos captam através dos impostos que ele paga e, mais ainda, sente na pele o quanto isso é inverso à qualidade dos serviços que recebe em troca. Não são as novas promessas que vão atrair os votos - de promessas esse votante está cansado - mas sim a possibilidade de reconhecer em algum candidato a capacidade real de resolver os problemas             que lhe afligem, o caráter gestor capaz de fazer funcionar de modo eficaz o que não está a contento, ou seja, tudo.

Senhores pré-candidatos, percam menos tempo confabulando junto a pseudos-profissionais da consultoria política em busca de novas promessas e dediquem-se a apresentar suas credenciais de gestores eficientes. Chega de promessas. O que se deseja é a execução, a explanação do como e quando as coisas vão de fato acontecer.

O brasileiro se cansou de viver no “país do futuro”, dirigido por criativos prometedores eleitorais. Resta alguma dúvida?
Marcos Marinho
Professor e Consultor Político

@mmarinhomkt

terça-feira, 22 de abril de 2014

As seleções brasileiras de 2014

Estamos em 2014, ano de Copa do mundo no Brasil. Além de ser um ano onde a alienação se traveste de verde-e-amarelo, pregando que patriotismo é colocar uma bandeira no capô do carro e sair buzinando pela cidade a cada gol de um time de futebol, este ano também nos oferece outra competição ainda mais importante: as eleições.

Assim que o circo futebolístico levantar suas tendas e partir, daremos início ao outro grande evento - esse sim patriótico de verdade - de 2014, o pleito que elegerá os novos representantes do povo, nos times legislativos e executivos do país.

Diferente do time de futebol que disputará o campeonato que precede a competição política deste ano, o time que assumirá os mandatos eletivos em 2015 deverá ser escalado pelos próprios brasileiros. Na escalação política não há a figura autoritária do “Técnico”, que no time de futebol decide quem joga ou não, e talvez por isso receba sempre o peso pelo fracasso do time. Cada eleitor brasileiro deverá assumir a responsabilidade pelo time que decidir colocar para jogar com sua vida pelos próximos quatro anos.

Fala-se muito que “o Brasil é o país do futebol” e que “de técnico e louco todo mundo tem um pouco”, será então que somos melhores técnicos ou eleitores? Temos o mesmo compromisso que temos com nossos times para com nossa família, nossa cidade e nosso país? Sei de várias pessoas que conhecem todos ou quase todos os jogadores da seleção brasileira, de seus times do coração e até dos tradicionais adversários, mas não são capazes de falar em quem votaram na última eleição. Infelizmente!

Em breve os “jogadores” políticos entrarão em campo para tentar conseguir seu voto a fim de ocuparem uma vaga na Seleção Brasileira de Mandatários 2015.

Alguns são nomes pouco conhecidos, mas que merecem sua atenção e avaliação, pois possuem competência e habilidade para desenvolver um bom trabalho. Outros já são conhecidos nos campos parlamentares e executivos e, por isso, devem receber um crivo mais pesado, devem mostrar que realmente estão em forma e que marcaram os gols que prometeram há quatro anos.

Existem ainda aqueles que nunca marcaram um gol, faltaram à maioria dos treinos e quando jogaram nos campos das Assembleias e Congresso Nacional, ou nos palácios por este Brasil, apenas fizeram faltas e “lambança”, demonstrando conduta indigna. Estes merecem ser expulsos do time.

Em 2015 começaremos um novo campeonato, o mais importante das nossas vidas, a Copa do Mundo de crescimento, desenvolvimento e bem-estar social. Qual time você escalará para te representar nesta competição e, efetivamente, te trazer um futuro campeão?

Marcos Marinho
Professor e Consultor Político

@mmarinhomkt

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Miopia social

A miopia é uma ametropia, um erro de refração que dificulta a visualização de objetos que estejam distantes dos olhos. Comumente conhecida como “vistas curtas”, necessita de correção cirúrgica ou por meio de lentes capazes de ajustar essa falha ocular.

Motivou-me falar sobre “miopia social” a sequência de ações, reações e comentários populares sobre política, violência, justiça e direitos humanos às quais tive acesso. Temas que impactam cotidianamente em nossas vidas e que geralmente encontram explicações das mais variadas e equivocadas em todo tipo de boca.

Temos visto diariamente a ação de grupos de pessoas que decidem, motivados pela descrença e desespero, fazer “justiça” com as próprias mãos contra meliantes pegos em flagrante na prática de crimes. Sempre amparados em justificativas que percorrem o descontentamento com as leis vigentes no país, que não mantém presos criminosos contumazes e não punem, na medida em que acreditamos “justa”, estes mal feitores. De fato, isto tem sua razão! Nosso sistema legal é ultrapassado, nosso sistema correcional é ineficaz e nossa polícia, algumas vezes, é tão equivocada no cumprimento de seu dever quanto os próprios bandidos.

Outro segmento amplamente desacreditado é o dos “políticos”, mandatários que vivem envoltos em esquemas de corrupção e nada fazem em prol da população que os elegeu. Outra verdade! Realmente temos canalhas da mais alta periculosidade ostentando mandatos e legislando em causa própria.

Quanto aos defensores dos Direitos Humanos, vistos como coniventes, que passam a mão na cabeça dos marginais, pela ótica ametrópica do povo, é ainda mais fácil de desacreditar.
Precisamos colocar em nossos olhos lentes capazes de nos fazer enxergar mais longe, pois só assim veremos que toda desgraça que nos acomete tem uma causa. Veremos que nossa conduta até aqui não tem sido em direção de solucionar causas, mas apenas execrar e combater efeitos.

 A violência que nos estupra, rouba e mata não será dissipada simplesmente prendendo, batendo e matando seus violadores. Afinal sempre, caso não eliminemos as causas, surgirão novos estupradores, ladrões e assassinos. Os políticos corruptos que lesam nossa pátria não perderão seus mandatos se a massa míope continuar votando neles.

Os Direitos Humanos nunca serão de todos os humanos enquanto não deixarmos de lutar para que aqueles que não consideramos mais humanos - devido aos crimes que cometem, ou sua condição social, racial, de gênero ou física - não tenham os deles, ao invés de garantirmos o de todos.

Existem apenas duas lentes capazes de corrigir essa miopia social e fazer com que ampliemos nossa visão, capacitando-nos a enxergar mais distante e profundo dentro da nossa sociedade as causas que nos fazem viver assim. Essas lentes se chamam Educação e Engajamento.

Avie sua receita, corrija sua deficiência e enxergue os meios para fazer deste mundo um lugar melhor para todos.
Marcos Marinho
Professor e Consultor Político.

@mmarinhomkt.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Se me perguntassem

Eu poderia dizer que tudo de ruim que estamos vivendo atualmente faz parte de uma conspiração das oposições, que teimam em querer o lugar daqueles que ocupam as cadeiras mandatárias e são denominados situação. Mas em algum momento minhas palavras perderiam a validade, já que situação e oposição se alternam de quando em quando, e ainda assim os problemas que nos afligem continuam lá, nos observando e crescendo.

Talvez eu dissesse que realmente estamos vivendo em um lugar maravilhoso, terra de gente boa e feliz, que não sofre com a violência pavorosa dos que roubam e matam por nada. Diria até que temos todos os motivos para sorrir quando passeamos por nossas cidades limpas, arborizadas, entrecortadas por vias adequadas ao volume de carros e que sempre temos ao nosso dispor os transportes públicos de qualidade que nos motivam a deixar os carros em casa e, assim, diminuir a poluição que pode causar doenças. Mas aí eu estaria vivendo um “Show de Truman”, uma vida de faz de conta contada nas telas de televisão.

Se um dia algum mandatário - eleito pelo voto do povo - me perguntasse o que está acontecendo que faz com que sua aprovação popular seja pífia, e que faz ecoar nas ruas um grito de “não me representa”, poderia lhe dizer que seus ouvidos e olhos há muito se afastaram do seu povo. Talvez até lhe informasse que a publicidade não é suficiente para esconder a verdade, pelo menos não por todo o tempo. Seria viável esclarecer que as lutas egomaníacas por poder, que ignoram o desejo popular, não ajudam na integração do povo com os assuntos políticos, prestando um desserviço para a sociedade, que acaba por desacreditar a própria democracia.

Minha alegria seria completa se viesse o povo, os eleitores, e me perguntasse como deixamos as coisas chegarem a este ponto. Se quisesse saber o motivo de vivermos com medo, de não sermos atendidos pelo poder público, de estarmos descrentes do processo político e ainda dispostos a manter a inércia, a prostração na mediocridade política, isso eu gostaria de responder. Para este povo me esforçaria em elaborar uma resposta, pois são os únicos a quem vale a pena tentar dizer algo que faça sentido.

Se me perguntasse, esse povo do qual eu faço parte, responderia com toda a verdade que pode haver em uma teoria: A culpa é nossa!
Marcos Marinho
Professor e Consultor Político

(@mmarinhomkt)

terça-feira, 4 de março de 2014

Eu não sabia!

Engraçado como as pessoas que mais deveriam saber das coisas às vezes vem a público dizer que sabem de nada. Ocupantes de altos cargos políticos, secretários de pastas importantes, diretores, assessores e mais um rol de “desinformados”, em tempos onde a internet dissemina informações que vão do horóscopo à montagem de bombas, ainda garantem de nada saber quando o assunto lhes é espinhoso.

Vivemos imersos em um oceano de dados e desinformação, agitado pelos ventos do interesse político e do poder econômico, ambos aliados eternos. Jogados de um lado ao outro pelas enormes ondas de comunicação direcionada, formatada e veiculada com o intuito de nos confundir, desorientar ou induzir, vamos tentando nos agarrar a alguma tábua de salvação, a fim de que não nos afoguemos entre os interesses alheios.

Infelizmente a doença da ignorância, “do não saber”, parece também ter contagiado boa parcela da sociedade. Muita gente diz não saber por que vive nas condições em que sobrevive. Assim, decidi trazer algumas perguntas para reavivar lembranças:

- Existe dúvida de que somos pessoas diferentes com desejos e necessidades diferentes, mas que vivem em um mesmo espaço geográfico, limitado, e que por isso precisam administrar desejos e necessidades de forma a atingir, pelo menos, o mínimo de satisfação coletiva e não só individual?

- Não é fato que a cidade onde vivemos é o espaço que possuímos para interações e relações sociais que nos permitirão sobreviver e conquistar os meios para as realizações pessoais e coletivas e que, por isso, não podemos depredá-la, sujá-la ou simplesmente abandonar a fiscalização de sua gestão? Que não precisamos ter mandato, mas sim nos comportarmos como cidadãos para participarmos ativamente dessa gestão?

- Alguém assume não saber que é errado sonegar ou se omitir frente a um episódio de sonegação? Que ao não denunciar os praticantes de violência contra crianças e mulheres, ou qualquer pessoa, poder-se-á tornar-se a próxima vítima? Já não foi dito que vender o voto por meia dúzia de dinheiros é o mesmo que autorizar os buracos nas ruas, as péssimas condições dos transportes públicos, dos serviços de saúde e educação? Não é sabido que toda omissão e/ou micro corrupção, essa do dia a dia que talvez se cometa por ser típica do “jeitinho brasileiro”, é o principal combustível para degradação do nosso país, nosso estado, nossa sociedade?

Chegamos a um ponto muito próximo do caos nas relações sociais e políticas. Estamos vivendo a desintegração da moral e da esperança nos poderes constituídos, o que nos leva ao ponto próximo de uma ditadura - onde o povo se entrega aos gritos de algum falso profeta.

É premente que pessoas dispostas a dialogar sobre política e cidadania, nas rodas de bate papo, nas mesas dos bares, nas salas de aula e dentro de suas casas - lugares onde se faz a verdadeira política - trabalhem para erradicar a amnésia moral e ética que fez perder-se o bem comum. Somos todos responsáveis pelo que está acontecendo com nossa sociedade. E agora você sabe.

Marcos Marinho

Professor e analista político
@mmarinhomkt