Espaço destinado ao registro das percepções críticas de um cidadão brasileiro sobre política, comunicação, comportamento e demais assuntos pertinentes à sociedade contemporânea.
Uma visão técnica do ponto de vista do marketing e apaixonada do ponto de vista humano. Leia, critique e replique à vontade!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Miopia social

A miopia é uma ametropia, um erro de refração que dificulta a visualização de objetos que estejam distantes dos olhos. Comumente conhecida como “vistas curtas”, necessita de correção cirúrgica ou por meio de lentes capazes de ajustar essa falha ocular.

Motivou-me falar sobre “miopia social” a sequência de ações, reações e comentários populares sobre política, violência, justiça e direitos humanos às quais tive acesso. Temas que impactam cotidianamente em nossas vidas e que geralmente encontram explicações das mais variadas e equivocadas em todo tipo de boca.

Temos visto diariamente a ação de grupos de pessoas que decidem, motivados pela descrença e desespero, fazer “justiça” com as próprias mãos contra meliantes pegos em flagrante na prática de crimes. Sempre amparados em justificativas que percorrem o descontentamento com as leis vigentes no país, que não mantém presos criminosos contumazes e não punem, na medida em que acreditamos “justa”, estes mal feitores. De fato, isto tem sua razão! Nosso sistema legal é ultrapassado, nosso sistema correcional é ineficaz e nossa polícia, algumas vezes, é tão equivocada no cumprimento de seu dever quanto os próprios bandidos.

Outro segmento amplamente desacreditado é o dos “políticos”, mandatários que vivem envoltos em esquemas de corrupção e nada fazem em prol da população que os elegeu. Outra verdade! Realmente temos canalhas da mais alta periculosidade ostentando mandatos e legislando em causa própria.

Quanto aos defensores dos Direitos Humanos, vistos como coniventes, que passam a mão na cabeça dos marginais, pela ótica ametrópica do povo, é ainda mais fácil de desacreditar.
Precisamos colocar em nossos olhos lentes capazes de nos fazer enxergar mais longe, pois só assim veremos que toda desgraça que nos acomete tem uma causa. Veremos que nossa conduta até aqui não tem sido em direção de solucionar causas, mas apenas execrar e combater efeitos.

 A violência que nos estupra, rouba e mata não será dissipada simplesmente prendendo, batendo e matando seus violadores. Afinal sempre, caso não eliminemos as causas, surgirão novos estupradores, ladrões e assassinos. Os políticos corruptos que lesam nossa pátria não perderão seus mandatos se a massa míope continuar votando neles.

Os Direitos Humanos nunca serão de todos os humanos enquanto não deixarmos de lutar para que aqueles que não consideramos mais humanos - devido aos crimes que cometem, ou sua condição social, racial, de gênero ou física - não tenham os deles, ao invés de garantirmos o de todos.

Existem apenas duas lentes capazes de corrigir essa miopia social e fazer com que ampliemos nossa visão, capacitando-nos a enxergar mais distante e profundo dentro da nossa sociedade as causas que nos fazem viver assim. Essas lentes se chamam Educação e Engajamento.

Avie sua receita, corrija sua deficiência e enxergue os meios para fazer deste mundo um lugar melhor para todos.
Marcos Marinho
Professor e Consultor Político.

@mmarinhomkt.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Se me perguntassem

Eu poderia dizer que tudo de ruim que estamos vivendo atualmente faz parte de uma conspiração das oposições, que teimam em querer o lugar daqueles que ocupam as cadeiras mandatárias e são denominados situação. Mas em algum momento minhas palavras perderiam a validade, já que situação e oposição se alternam de quando em quando, e ainda assim os problemas que nos afligem continuam lá, nos observando e crescendo.

Talvez eu dissesse que realmente estamos vivendo em um lugar maravilhoso, terra de gente boa e feliz, que não sofre com a violência pavorosa dos que roubam e matam por nada. Diria até que temos todos os motivos para sorrir quando passeamos por nossas cidades limpas, arborizadas, entrecortadas por vias adequadas ao volume de carros e que sempre temos ao nosso dispor os transportes públicos de qualidade que nos motivam a deixar os carros em casa e, assim, diminuir a poluição que pode causar doenças. Mas aí eu estaria vivendo um “Show de Truman”, uma vida de faz de conta contada nas telas de televisão.

Se um dia algum mandatário - eleito pelo voto do povo - me perguntasse o que está acontecendo que faz com que sua aprovação popular seja pífia, e que faz ecoar nas ruas um grito de “não me representa”, poderia lhe dizer que seus ouvidos e olhos há muito se afastaram do seu povo. Talvez até lhe informasse que a publicidade não é suficiente para esconder a verdade, pelo menos não por todo o tempo. Seria viável esclarecer que as lutas egomaníacas por poder, que ignoram o desejo popular, não ajudam na integração do povo com os assuntos políticos, prestando um desserviço para a sociedade, que acaba por desacreditar a própria democracia.

Minha alegria seria completa se viesse o povo, os eleitores, e me perguntasse como deixamos as coisas chegarem a este ponto. Se quisesse saber o motivo de vivermos com medo, de não sermos atendidos pelo poder público, de estarmos descrentes do processo político e ainda dispostos a manter a inércia, a prostração na mediocridade política, isso eu gostaria de responder. Para este povo me esforçaria em elaborar uma resposta, pois são os únicos a quem vale a pena tentar dizer algo que faça sentido.

Se me perguntasse, esse povo do qual eu faço parte, responderia com toda a verdade que pode haver em uma teoria: A culpa é nossa!
Marcos Marinho
Professor e Consultor Político

(@mmarinhomkt)

terça-feira, 4 de março de 2014

Eu não sabia!

Engraçado como as pessoas que mais deveriam saber das coisas às vezes vem a público dizer que sabem de nada. Ocupantes de altos cargos políticos, secretários de pastas importantes, diretores, assessores e mais um rol de “desinformados”, em tempos onde a internet dissemina informações que vão do horóscopo à montagem de bombas, ainda garantem de nada saber quando o assunto lhes é espinhoso.

Vivemos imersos em um oceano de dados e desinformação, agitado pelos ventos do interesse político e do poder econômico, ambos aliados eternos. Jogados de um lado ao outro pelas enormes ondas de comunicação direcionada, formatada e veiculada com o intuito de nos confundir, desorientar ou induzir, vamos tentando nos agarrar a alguma tábua de salvação, a fim de que não nos afoguemos entre os interesses alheios.

Infelizmente a doença da ignorância, “do não saber”, parece também ter contagiado boa parcela da sociedade. Muita gente diz não saber por que vive nas condições em que sobrevive. Assim, decidi trazer algumas perguntas para reavivar lembranças:

- Existe dúvida de que somos pessoas diferentes com desejos e necessidades diferentes, mas que vivem em um mesmo espaço geográfico, limitado, e que por isso precisam administrar desejos e necessidades de forma a atingir, pelo menos, o mínimo de satisfação coletiva e não só individual?

- Não é fato que a cidade onde vivemos é o espaço que possuímos para interações e relações sociais que nos permitirão sobreviver e conquistar os meios para as realizações pessoais e coletivas e que, por isso, não podemos depredá-la, sujá-la ou simplesmente abandonar a fiscalização de sua gestão? Que não precisamos ter mandato, mas sim nos comportarmos como cidadãos para participarmos ativamente dessa gestão?

- Alguém assume não saber que é errado sonegar ou se omitir frente a um episódio de sonegação? Que ao não denunciar os praticantes de violência contra crianças e mulheres, ou qualquer pessoa, poder-se-á tornar-se a próxima vítima? Já não foi dito que vender o voto por meia dúzia de dinheiros é o mesmo que autorizar os buracos nas ruas, as péssimas condições dos transportes públicos, dos serviços de saúde e educação? Não é sabido que toda omissão e/ou micro corrupção, essa do dia a dia que talvez se cometa por ser típica do “jeitinho brasileiro”, é o principal combustível para degradação do nosso país, nosso estado, nossa sociedade?

Chegamos a um ponto muito próximo do caos nas relações sociais e políticas. Estamos vivendo a desintegração da moral e da esperança nos poderes constituídos, o que nos leva ao ponto próximo de uma ditadura - onde o povo se entrega aos gritos de algum falso profeta.

É premente que pessoas dispostas a dialogar sobre política e cidadania, nas rodas de bate papo, nas mesas dos bares, nas salas de aula e dentro de suas casas - lugares onde se faz a verdadeira política - trabalhem para erradicar a amnésia moral e ética que fez perder-se o bem comum. Somos todos responsáveis pelo que está acontecendo com nossa sociedade. E agora você sabe.

Marcos Marinho

Professor e analista político
@mmarinhomkt

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O que defendem os black blocs?


Sou um observador político e me debruço dia-a-dia sobre várias informações veiculadas em muitos meios de comunicação, pois acredito que devemos buscar todas as verdades possíveis, a fim de construir uma opinião defensável sobre os fatos. Animal político por essência, concordando com Aristóteles, acredito que enquanto vivermos em sociedade somos obrigados a buscar clareza e entendimento sobre as possibilidades de gestão das diferenças, dos desejos conflitantes dos homens neste mundo de escassez.
Defendo o diálogo, o pluralismo de ideias, o contraditório, a revisão dos sistemas políticos e eleitorais, uma educação de qualidade, o acesso de todo cidadão ao maior número possível de meios de informação, ao ensino de direitos e deveres para as crianças já no período básico e mais uma série de coisas que impactam na sociedade da qual faço parte.
Por considerar que estou, minimamente, envolvido nos problemas políticos e sociais que afligem meus concidadãos, trago à baila a questão que titula este texto: O que defendem os black blocs?
Não reconheço neles alguma reivindicação pautada na coerência e análise, não os percebo dispostos a esclarecer suas intenções, não sei de ação deste grupo em prol de dialogar e, pelo menos, conquistar o apoio popular para suas requisições. Como uma turba agressiva e disposta a passar por cima de tudo e todos na busca da promoção do maior prejuízo possível para os governos, essa falange tem atuado durante as manifestações populares no país. Sua atuação criminosa teve, recentemente, uma materialização terrível, a morte do cinegrafista Santiago Andrade. Mas, antes disso, já destruíram muito do patrimônio público e privado, aterrorizaram muitos cidadãos e macularam várias manifestações populares dignas e corretas.
Quem são esses mascarados? O que defendem? Qual sua ideologia?
Se o anarquismo, que venham defendê-lo com argumentos, pois possuem o direito de defender suas crenças. Mas se estão sendo usados como massa de manobra nas mãos de pessoas que possuem outros interesses, ou se apenas querem gerar medo e destruição, passa a hora de serem refreados.
Somos uma sociedade democrática que ainda está aprendendo o que isso significa. E para manutenção desse status devemos todos lutar contra qualquer levante disposto a destruir nosso patrimônio, que intente instaurar o medo inibidor das manifestações legítimas e perverter as lutas em prol de melhorias para nosso povo.
Aquele que encontra na violência e depredação o único argumento para defender suas intenções é mais nocivo do que aquele contra quem luta!
Marcos Marinho

Professor e Consultor Político.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

2014 - O ano do Brasil

Estamos em 2014, o ano do Brasil. Decidi abrir este texto com tal frase porque ela realmente representa a maior verdade que poderia escrever sobre o ano corrente.

Certamente alguns leitores já projetaram em suas mentes a imagem da camisa verde e amarela da Seleção que disputará a Copa do Mundo. Digo que não é este o motivo de ser 2014 o ano do Brasil. Simplesmente porque o Brasil a que me refiro não se restringe a um time esportivo, com integrantes que não representam o povo brasileiro, senão nos sonhos de meninos de pés descalços espalhados em campinhos de terra, e que acreditam ser o futebol o único caminho para uma “vida boa”.

Estamos no ano do Brasil, o ano em que poderemos exercer nosso poder, enquanto cidadãos, para decidirmos o futuro desta nação. O maior evento deste ano não é a Copa, mas as eleições.

Nesta disputa o prêmio principal, em lugar de uma taça, são as vidas de 198,7 milhões de pessoas, e todo esforço, trabalho e sonhos que com elas residem, durante, pelo menos, quatro anos.

De que adianta uma taça de ouro, se milhões de pessoas continuam vivendo com medo da violência, sofrendo com transportes públicos indecentes, serviços de saúde indignos, sem escolas e condições de ter uma educação real? Vivem sem perspectivas de evolução e desenvolvimento social. De que adianta gritos de gol, se vivemos presos no trânsito das cidades mal planejadas, se não podemos desfrutar da paga por nossos esforços, pois grande parte do que recebemos é dragado pelos governos para alimentar suas negociatas e joguinhos de toma lá, dá cá?

Não serão os dribles dos jogadores-  absurdamente bem pagos para isso - que acabarão com a corrupção, a dilapidação do erário, a falta de coragem e caráter dos mandatários desta nação, que abandonaram suas funções de representantes do povo para refestelarem-se em banquetes, enquanto pessoas morrem nas ruas cheias de marginais, e marginais morrem nas cadeias cheias de imperadores do crime que nada respeitam e continuam a exercer seu poder paralelo.

Tenho escutado pessoas descrentes do sistema político, alegando que não sabem em quem votar neste ano, afirmando que votarão nulo, ou que nem votarão. Alguns acreditam que ao anular o voto estarão fazendo um protesto que ecoará entre as hierarquias do poder e, de certa forma, ofenderá os políticos bandidos. Ledo engano! O voto nulo não é computado como voto válido, e assim não tem efeito sobre o resultado da eleição. Sobre ser um protesto capaz de mostrar a indignação popular e avexar os políticos que serão eleitos com poucos votos, infelizmente lhes digo que também não surtirá efeito. O mau político, aquele que realmente não merece seu voto, não se importará de ser eleito apenas com um voto, o seu próprio.

Este é o ano do Brasil. É o ano em que podemos decidir se vamos realmente vencer o jogo contra esta realidade insuportável que está nos massacrando, tomando decisões mais coerentes, avaliando melhor na hora de votar, não nos iludindo por fantasias midiatizadas ou meia dúzia de dinheiros. O ano de 2014 está à nossa frente, não para sermos espectadores de campeonatos de futebol, de festas carnavalescas ou qualquer outro tipo de circo usado para nos tirar a atenção daquilo que é importante. Este é o ano em que cada brasileiro deverá fazer uma escolha: se omitir, se corromper, ou partir para guerra contra os estelionatários da nação.
Marcos Marinho

Professor e Consultor político

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Mataram o “por quê?”

Entendo como salutar para a evolução pessoal, e social, questionarmos as realidades que entremeiam nossas vidas e direcionam nossas ações e reações. Somos seres guiados por opiniões e percepções, que muitas vezes nos são introjetadas sem nossa consciente anuência.
Vivemos em um mundo de informações que circulam e se chocam com nossos olhos e ouvidos a uma velocidade cada vez mais rápida. Sem termos, muitas vezes, condição de identificar a placa da informação que nos atropelou, temos incorporado às nossas convicções vários paradigmas que não são por nós questionados antes de serem postos na direção de nosso comportamento cotidiano.
A reflexão e o questionamento são os maiores benfeitores da humanidade. O homem apenas alcançou o estágio atual de evolução social e tecnológico em que vivemos por ter, em algum momento, questionado os parâmetros e convicções vigentes em seu tempo, a ponto de confrontá-los e vencê-los. A não aceitação de conceitos e, ainda pior, pré-conceitos, associada à coragem de desconstruir as “verdades” que os detentores do poder usavam para doutrinar, foi preponderante para que a humanidade superasse diversas amarras que lhe coibia a evolução.
Trago neste texto minha angústia por constatar a ausência de reflexão e questionamento entre as pessoas desta geração. Analisando a atitude dos jovens presentes em minhas salas de aula, bem como o comportamento de vários outros grupos sociais em interações mediadas pela internet e suas redes sociais, e também reproduzido em conversas ouvidas nas ruas, filas e demais ambientes públicos, constato a morte do “Por quê?”.
Atribuo grande parte da culpa deste homicídio ao sistema educacional que bitola nossas crianças. Sim, está mais do que comprovado que nosso sistema não estimula a investigação, o questionamento, o desenvolvimento de alternativas e inovações. Colhemos isso nas faculdades e no mercado de trabalho, onde vemos a marcha uníssona de trabalhadores pasteurizados e limitados ao programa que lhes é inserido. Como nos disseram há tempos: “just a brick in the wall”.
Aliada ao despreparo produzido pela educação que nos é posta, temos a alienação fornecida e fomentada pelos governos que, com suas suntuosas verbas de comunicação, direcionam e reproduzem suas verdades de modo que ocupem cada vez mais espaço nas mentes dos eleitores/cidadãos, iludindo-os e convencendo-os a não questionarem, sequer, a possibilidade das coisas serem feitas de outra forma, a possibilidade de termos uma vida melhor, mais justa e digna para todos.
Trago neste texto, também, o pedido para que você duvide de tudo o que transcrevi nas linhas acima. Peço a você que inicie um processo que questionamento sobre todos os paradigmas que moldam e guiam sua vida. Rompa o silêncio dos seus pensamentos, retire os óculos que lhe foram colocados durante sua formação social, examine os dogmas que te proíbem de ser diferente. Ao final, o que espero, é que várias coisas sejam confirmadas e continuadas simplesmente por te fazer feliz. Mas também espero, com maior paixão, que suas dúvidas te convidem para uma nova jornada onde as descobertas o guiarão para a vida que você merece viver.
Marcos Marinho

Professor e Analista político

domingo, 17 de novembro de 2013

O que representa o Poder Legislativo?

Quando Montesquieu propôs a tripartição do poder em legislativo, executivo e judiciário, acreditava que a concentração de poder em uma única mão, de forma alguma, seria bom para a comunidade. Obviamente estava certo.

No entanto decidi oferecer este texto aos seus olhos críticos, caro leitor, por perceber que vivenciamos uma relação de uso e concessão desses poderes, que muito me parece equivocada.

Não falarei sobre o poder Judiciário, pois este anda em alta conta com a sociedade após sua atuação no caso polêmico do “Mensalão”. Muitos tomaram ciência deste poder, e seu alcance, justamente a partir deste fato. Elegeu-se até um “herói nacional”, o ministro do STF, Joaquim Barbosa. Não farei juízo de valor disto agora.

Quanto ao poder Executivo, representado pelos prefeitos, governadores e presidente, suscitarei uma análise mais apurada de sua parte, leitor, por entender que boa parcela dos representantes deste funcional poder agem como se fossem reis, monocráticos, mandando e desmandando. Não se limitando à sua função de executores de projetos e gestores da coisa pública, exercem sobre os demais poderes uma tutela maniqueísta, em prol de fomentar sua sede de poder.

Enfatizarei o poder Legislativo por entender ser ele o que está mais próximo de nós, cidadãos. Composto por homens e mulheres eleitos diretamente por parcelas do eleitorado, já que conquistaram suas cadeiras nas casas de leis a partir da proporcionalidade do total de votos válidos, deveríamos entender que representam parcelas da sociedade que coadunam com seus pensamentos, ideologias e projetos.

Aparentemente os legisladores não têm correspondido aos anseios dos seus eleitores, propondo leis que regulem e parametrizem a sociedade. E fiscalizando a atuação e execução das leis, que ficam a cargo dos gestores municipais, estaduais e federal. Minha voz não é a única que questiona isso, afinal o grito de “não me representa” foi entoado por milhares, nas manifestações de junho de 2013.

O legislador - seja ele vereador, deputado ou senador - tem por obrigação estar próximo do seu eleitorado, ouvindo suas demandas e prestando contas de sua atuação, suas conquistas e derrotas. Votado geralmente por uma região de sua cidade ou estado, o legislador tem pleno conhecimento de onde está seu eleitor, em quais condições vive e quais os canais deveria utilizar para manter o diálogo com ele. Não o faz por descaso!

O poder Legislativo, acima de qualquer outro, deveria ser por excelência a voz do povo direcionando as ações dos governos, defendendo o saneamento das carências da sociedade, monitorando e comunicando as ações do Executivo para aprovação ou não de seus concidadãos. Infelizmente não é o que vemos. Temos câmaras e assembleias ajoelhadas aos pés de prefeitos, governadores e presidentes, distantes do povo, fechadas para o povo, imersas na obscuridade de tramoias e conchavos que em nada visam corresponder aos votos que receberam dos vizinhos e “amigos” que procuraram na época das eleições.

O poder Legislativo se afastou do povo que deveria representar. Representa hoje casas cheias de “tias velhas e gordas” que vivem chorando pelo seu próprio pão e seu conforto egoísta. Cheios de carros de luxo, viagens caras, banquetes e regalias que em nada lembram as condições em que vivem seus representados.

A você, cidadão que credenciou os atuais legisladores, que ocupam as cadeiras que deveriam propagar a sua voz, defender suas demandas e direitos, e impedir que todo o dinheiro que lhe é confiscado pela máquina pesada e ineficaz do governo acabe nos ralos da corrupção, pergunto: quem te representa?

Marcos Marinho

Professor e consultor político.